Acontece com as mulheres


Vermelho

Ele me pede para deixar de pintar as unhas de vermelho e perco a única certeza que tinha até agora: gostar delas assim.
Foi como ouvi-lo pedindo para tirar a maquiagem, tirar o salto e deixar de lado o cigarro e a bebida. Era como se dissesse para eu prender o cabelo num rabo de cavalo como fazia antes, deixar o riso solto de criança e tratar as pessoas com o coração puro que eu tinha.
Quando você vai esquecendo de quem era, fica tomada pelos seus minutos de notoriedade, pela liberdade e por conversas chatas é difícil ouvir "não pinta mais as unhas de vermelho".
Depois da cara de medo, ele me pede para pintá-las de rosa e eu nego porque não sou mais capaz de ser aquela menina para os outros - só para mim.
A mesma que quer dizer para ele que nunca vai ter coragem de assumir o que sente porque cresceu e deixou bem coberto pelo esmalte vermelho o que há de verdadeiro no seu coração.



Escrito por Nina às 12h41
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O (ex-) jogador

 

Mas o que é que ele tem? Com essa frase você estipula sua sentença e cumpre a pena. Mesmo contra sua vontade, alista seu nome para ser mais um soldado nesses joguinhos que odeia. Olhar de um lado, mensagem de outro e cutucadelas sem fim. Você esquece que uma hora o jogo termina e que é preciso entrar na disputa de verdade ou então nem se preparar para o combate. Você vai somando suas vantagens, administra pequenas vitórias e se esquece que quanto mais alto sobe, mais perto da queda está. Reconheço que este não é um embate com ares de liga profissional, está mais para uma pelada em um campinho de terra – num domingo chuvoso. Mas aquele pequeno técnico com apito ditador e prancheta em riste que existe dentro de você pode convencê-la de que uma vitória só se conquista depois de outras disputa. Você acena para a torcida, agradece o apoio de todos e veste com orgulho a camisa 10. Bobagem. Demora pouco para sentir a fisgada do lado esquerdo do peito e abandonar todo aquele teatro. É mais fácil sair covardemente com uma lesão do que esperar o apito final do juiz e ter que explicar à platéia o motivo da derrota.



Escrito por Nina às 14h16
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Trem

 

Tem horas que a vida segue e só entramos no vagão sem sequer dar conta do itinerário ou puxar papo com quem viaja ao lado. Entramos egoístas no vagão cinzento e vemos todas as cores voarem pela janela. Não se quer estar lá fora e nem se pensa que essa é uma possibilidade porque o conforto de se sentir só dentro do vagão lotado não tem preço. E esse não ter preço não significa ser incalculável, mas sim, sem valor. Não se ganha nem se perde no vagão. É uma viagem na qual pouco se lembra do começo e não se sabe a que horas chega o fim. Não se sabe em qual ponto descer, quem será o próximo a subir e – às vezes – se lamenta que alguém tenha deixado o vagão no exato momento em que perguntaríamos “Que horas são?” ou qualquer coisa parecida que nos fizesse ter certeza de que ainda ouvimos, falamos e temos noções do tempo.

Aí ficamos ali sentados com um lugar vago ao nosso lado que as pessoas teimam em não sentar. Uma ou outra senta vez em quando e desce logo após descobrir que pegaram o trem errado.

A gente olha para a janela fingindo esperar novas cores e sempre olha pro assento vago com rabo de olho torcendo pra encontrar um passageiro que nos acompanhe até o ponto final.



Escrito por Nina às 17h54
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Dia bege

Às vezes a gente se cansa de tudo e não é só quando as coisas estão ruins. São naqueles dias beges que a gente tem preguiça de trabalhar, arruma uma desculpa para despistar os amigos e esquece de procurar alguém especial.

 

Se um dia ruim te deixa instigado a procurar uma saída estes dias de ph neutro não te convidam para nada. Não te fazem rir nem chorar - não te fazem nada mesmo. Tanto que você nem se lembra depois que foi um dia à toa.

 

Você não é mais feliz por estar livre dos seus problemas nem mais triste por não ganhar na loteria. Estes dias são tão seguros quanto levar um guarda-chuva na bolsa em dia nublado. Afinal, “vai que chove”.

 

Nem velozes, nem rápidas estas 24 horas têm a capacidade de ser. Elas passam na medida exata do seu tamanho: correm os 1440 minutos sem pressa ou vagar e já no meio da tarde quando alguém te diz que são duas horas nem cara de “oba!”, nem de “ainda?” você pode fazer. Fica lá com os olhos parados e com a cara mais bege que já se viu.

 

Aliás, pensa bem... Quase tudo que tem cor é bom ou ruim – até mesmo feliz ou triste – mas o bege... Você só vai ver no pó-de-arroz da sua avó ou nas meias finas de freiras.

A única coisa que pode ser qualificada num dia bege é seu fim.... Nunca se sabe de que cor o mundo vai se vestir amanhã. Mas eu aposto que é branco.



Escrito por Nina às 16h14
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Deixa sobrinhos

Tenho a esquisita mania de ler a seção de mortes no jornal. Todo dia. Tenho medo que alguém morra e eu não fique sabendo. Eu sei que isso é estranho, mas sendo só mais uma coisa estranha, acho normal falar sobre isso.

Hoje não foi diferente e entre entes queridos que passaram para outro lugar e muitas frases comuns como "Deixa filhos", "Viúva de" fulano(a) e "Casado com" me deparo com um "Deixa sobrinhos". Desde que adquiri essa mania estranha de ler os "classificados" é a primeira vez que a frase chama minha atenção.

Obviamente a pessoa em questão nunca se casou, nunca teve filhos, nunca. Não que fosse menos querida por isso, não que existisse menos por isso, mas sua vida acaba aqui, bem como todo seu legado porque a bem da verdade nenhum pai ou mãe por pior que seja é menos marcante do que um memorável tio ou tia. Acaba aqui. Eu fiquei bastante sensibilizada com a nota porque é triste pensar no fato de não constituir família. E isso é muito diferente de fazer parte de uma. Constituir família é passar sua história adiante, é uma posse política, é uma mudança de comando no exército, é passar a coroa de miss à alguma mais bela e jovem. É encerrar um período tendo a certeza de que suas lembranças viverão eternamente até a próxima passagem.

Acho que, concretamente, pela primeira vez tive medo de ver a vida passar e virar uma lembrança mal redigida numa folha de jornal, naquela página eu ninguém lê. Tive medo de "deixar sobrinhos".



Escrito por Nina às 17h54
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"Nenhum trompete toca quando são tomadas as decisões importantes de nossa vida. O destino é anunciado silenciosamente."
Agnes De Mille



Escrito por Nina às 12h02
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É hojeeeeee!!! Mais um ano... definitivamente estou ficando velha.

Muito obrigada por me acompanharem nos últimos 365 dias.



Escrito por Nina às 09h32
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Amanhã é meu aniversário!!!



Escrito por Nina às 09h02
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Construa sua escada

Esta é a terceira vez que tento fazer estas linhas valerem a pena. Já derramei muitas antes, mas depois resolvi não desanimar por serem pouco expressivas e deixe-as evaporar por dois dias. O que restou delas é a lembrança de não marcar nossas vidas pelo calendário, deixar erguer as esperanças de um novo período sem data marcada e deixar que sua própria ampulheta diga quando é hora de começar de novo ou de terminar tudo. Não parece meio óbvio?

Tanta festa, tantos conselhos, tanta obrigação de fazer planos para amanhã. Como se tudo se apagasse e fosse possível começar do zero. Não pode ser. Perderíamos dias e dias de lágrimas e alegrias que nos levaria a cometer os mesmos erros e andar pelo mesmo caminho.

É isso que você quer? Construa uma escada cujos degraus sejam feitos de desventuras e procure alterná-los com a prosperidade, porque essa alternância te leva para cima e te mantém de pé e em frente. Não suba essa escada correndo, não fique ao lado direito para que os outros passem por você, não pule degraus, não suba pisando de dois em dois e sempre se apoie no corrimão, afinal ele precisa tanto de você, quanto você dele.

Não lembre a todo instante que já tropeçou, mas guarde o momento para não cair novamente, não se sinta cansado quando atingir o próximo lance de escadas, mas respire fundo e receba o próximo degrau da melhor maneira possível e não tente adivinhar o que virá depois da curva porque é inútil. Cercar-se de cuidados não te prepara para a surpresa, nada te prepara para ela a não ser a certeza de que ainda muitos degraus virão.

Faça do seu ano novo o começo de mais um lance de escadas. Pouco importa com que velocidade subimos a escada, o que importa é a maneira que pisamos nos degraus.

Feliz vida nova para você!



Escrito por Nina às 14h57
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Um segundo para o amor

Nunca soube o tempo certo. Algumas vezes me atrasei, outras cheguei antes. O amor precisa mais do que encontrar outro. Precisa achar seu tempo.

Esqueça toda a lenda da alma gêmea, os amores platônicos, as bodas de ouro, as juras eternas... Nada disso pode existir no futuro se não se acertam os ponteiros agora.

Quando encontramos o tempo certo nada pode ser destruído tão rapidamente. As brigas logo são ultrapassadas pelo correr do calendário, a saudade tem hora para começar e terminar, os beijos duram o tempo certo para satisfazer os lábios e o antes triste tic-tac do relógio vira melodia para embalar os sonhos.

Encontrar seu tempo exige mais do que sorte e esforço, é achar no meio de muitos relógios de corda, de bolso e de pulso um ponteirinho que dance o tempo exatamente como o seu.

(Não sei se alguém conhece, mas encontrei um cantor muito bom chamado Ricardo Arjona ... espero que gostem.)



Escrito por Nina às 11h31
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Últimas palavras depois do grande amor

O ciúme foi embora, as lágrimas já não deixam mais marcas e o nó na garganta não prende mais o coração.
O fim sempre é inevitável e previsível desde o começo. As dúvidas só embaçam a visão para impedir que deixemos de nos arriscar.
Não há nada de novo e o sempre já passou. O que sobra em você é a saudade de sentir falta e de querer estar.
Caminhar leve com você mesmo te faz perdoar toda a falta e ter certeza do caminho que se inicia. É provável que não haja volta. As dúvidas ainda dificultam a visão mas o bom senso te empurra pelo caminho certo.
Deixar o que se sente para atrás é perder-se um pouco dentro da sua história e continuar um pouco mutilado na trilha. Ficar e guardar-se por inteiro para se doar não faz sentido se quem recebe já tem demais ou é muito orgulhoso para receber. Daí você vê que o problema nem sempre é a oferta, mas as mãos de quem recebe.
Difícil também é levar sozinho as coisas adiante. Mas não é sempre que se consegue, pois num certo ponto não basta mais o corpo presente. É preciso ter alma e coragem para assumi-lo.
E agora, já livre de tudo, o peso é outro. E não castiga tanto.
O dia amanhece mais quente e a noite é generosa.
Eu sigo o meu caminho.



Escrito por Nina às 12h20
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Despedida

Antes que não seja mais possível nem encarar os olhos nossos, antes que tenhamos que atravessar a rua ao nos avistarmos de longe, antes que as feridas não possam mais se curar, eu me despeço.

Digo adeus ao pedaço de mim que deixo com você, bato a porta e deixo repousadas no jardim as nossas lembranças.

Paro em frente a parede branca e seu portão alto - que já foi tão meu que pensei que nunca mais sairia dali - e digo adeus ao homem da minha vida. Da vida que eu andei até aqui. Deste caminho que me trouxe até este mesmo portão pela primeira vez e por tantas outras que me deixavam tão trêmula como se nunca houvesse estado aqui.

Me despeço daquele futuro que eu esperei. Me despeço da nossa casa que foi sempre sua, me despeço dos seus lábios que foram sempre seus e me despeço do meu sonho de vida.

Não consigo chorar porque eu mesma desfaço a vida que era só minha, um mundo que era só meu e lembranças que nunca dividimos.

Não há motivo para se arrepender, nem motivo para partir, mas eu já esqueci porque devo ficar e, por isso, mesmo sem o homem da vida que vivi até aqui dou as costas e sigo em frente.

 Eu deveria ter contado a você sobre o sonho que viveríamos, mas nunca pude te fazer entender que sonhar é só o primeiro passo. Que os sonhos tornam-se projetos que amanhecem planos que vivem felicidade e anoitecem  vida.

Eu me despeço das saudades que tive de você e da lembrança que sempre ficará em mim e caminho na chuva fina de volta para casa.



Escrito por Nina às 16h44
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Quem é você?

 

“Um dia as duas meninas vão se encontrar”. Nem precisava de aspas porque não foi isso exatamente que ela ouviu daquele homem. Num dos raros momentos que nos vemos, ela me disse que isso havia mudado as coisas.

Para mim, a verdade sempre esteve à mão. Leve e forte como qualquer descoberta deve ser. Mas ela precisou da manhã vazia de domingo para descobrir. Correu para a rua para se esconder das sombras da casa e buscar refúgio nos raios de sol. Eu a vi pouco depois, assustada e vazia de vida. Nos parecíamos um pouco. Eu sempre tive medo dela e agora me achava tão mais verdadeira e sábia que ela parecia só uma criança. Eu podia tê-la esmagado naquele momento. Eu não pude.

Pequena ou grande, ela faz parte de mim.



Escrito por Nina às 14h52
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Coisas que só acontecem na minha vida

 

No cabeleireiro: entro no salão com hora marcada com a manicure. A moça olha para a minha cara, para o meu cabelo e diz: "Você veio fazer o cabelo, né!?". 

 

No trabalho – parte I: sentei com uma perna cruzada em baixo do corpo. Na hora de levantar meu salto engancha na barra da saia e eu caio de bunda no chão. No meio do escritório.

 

No trabalho - parte II: "Nossa" (comentário seguido de um exame detalhado da minha pessoa dos pés a cabeça). Pergunto o que está acontecendo. "Você está bem relaxada hoje, né!?". Faço cara de bunda. "Não, é que você nunca vem assim tão largada"... Depressão bate à porta.

  

Na oficina: o carro foi pro conserto porque bateram nele. Depois voltou para o conserto porque a porta do porta-malas não abria. Agora vai voltar pro conserto porque ele simplesmente pára do nada.

 

Depois do almoço: "R$12,70. Mais alguma coisa?" "Eu quero 2 paçoquinhas". O cara do caixa sorri. "Paçoquinha engorda, hein!?". Só de birra pedi um chocolate também.

 

No estacionamento: o manobrista vai tirar um carro da frente e eu tiro o meu calhambeque. Ok, não fosse pelo fato de ter que passar entre dois outros carros pra conseguir sair. Ele puxa o carro da frente, eu entro no meu. Para fazer graça e comentar que é apertado para passar, pergunto "Xiiiiiiii... será que eu consigo?". O mal-educado responde "se você não conseguir passar aí, você pode rasgar sua carta". Imagina minha cara.

 

Durante todo o dia: andei pra cima e pra baixo com o zíper da calça aberto. Freak show gratuito para o povão.



Escrito por Nina às 10h15
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O mau do fim

 

Acabou. Você achava que isso é o pior. Errada. Errada duas vezes. Uma porque apostou no relacionamento novo e outra porque achou que o pior que poderia acontecer era terminar. Não era. O pior mesmo é saber que sobraram as pendências. Lembra daquele livro? Que você também não sentia falta, mas alguém te ligou perguntando do bendito. “Ah, ficou com ele”. Daí você pensa que é melhor ir até a livraria e comprar um novo, mas seu instinto de superação te cutuca até você se render e concordar. “Tá bom, vou buscar”.

Daí você calcula exatamente tudo para que o encontro seja o mais breve possível. Você faz o roteiro e sabe em quantos minutos vai cumprir a missão. “Entro, toco a campainha, digo que não quero entrar. Pergunto onde está o livro, ele vai buscar. Dou dois passos dentro da sala, acaricio o cachorro e torço para não ver nenhuma foto de mulher em cima da mesa. Ele volta (eu tremo). Agradeço. Falamos alguma coisa sobre o livro. Me despeço e desço de escada... o elevador demora muito.”



Escrito por Nina às 16h57
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