
Seria comum, se não fôssemos nós
Fazia tempo que não o sentia tão triste. Perguntei se eu podia ir ao seu encontro e ele respondeu “o mais rápido possível”.
A distância da cidade na hora do rush me fez demorar. Quando cheguei tudo estava melhor, havia recebido notícias boas. Sentamos num bar com amigos dele.
Até que um carro estacionou do outro lado da rua. “E aí? Conhece o sogrão”!? Eu grudei na cadeira e perdi um pouco o ar. Devo ter ficado pálida e, visivelmente sem reação, me bateu de novo “Conhece o sogrão?”. “Não”. E nos instantes que separavam aquele homem que descia do carro da porta da sua casa quase não pude respirar. O que ele vai dizer? Como vai me apresentar? “Essa aqui é a...”. Antecipei sozinha a situação embaraçosa. Nós dois continuamos sentados com os amigos dele. Alarme falso, certamente um homem parecido, mas não o pai dele.
Depois do susto e dos amigos fomos ao supermercado. E depois ele cozinhou para mim. Comemos. Dormimos. Foi uma noite típica para um casal, mas não para a gente. Porque não somos um casal. Amigos, supermercado, contas, discussões sobre a reforma da casa, jantar e colchão de casal.
O despertador tocou e nem nos demos conta disso. Atrasada, estava de pé num pulo. Depois me levou até a porta, me beijou e me abraçou. Tinha sido bom.
Escrito por Nina às 11h59
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