
O desconcerto e o ego
Já passava das 17h e eu já não era mais nem humana. Há tempos eu não ouvia “elogios” ao passar pelas ruas nem sentia aquele olhar gostoso de alguém que se quer.
Tragava pelo trânsito o último alento do dia e me perdia em sentimentos impossíveis. O farol fechou.
Os carros se alinharam e alguns rostos se entreolharam, mas não o meu. Tentando olhar para o céu, me chamaram a atenção. O som ligado, a buzina e meus pensamentos me impediram de ouvir o que o homem dizia.
Na terceira tentativa, já praticamente debruçada na janela do carro, ouço “muito charmosa você”. E o que eu podia fazer com aquilo? Agradeci. Agradeci ao farol que acabava de abrir para que eu pudesse sair dali.
Arrisquei um sorriso meio de lado e fui embora. Fiquei vermelha. Não estou acostumada com essas coisas.
Escrito por Nina às 16h40
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