
A maldita prospecção
(ou como ser uma mulher barata em tempos modernos)
Eu não estava familiarizada com o termo até trocar de emprego. Trabalhava só com homens e hoje divido a maior parte do meu dia com mulheres entre 23 e 50 anos. Apenas um homem, que por sinal já passou na mão de uma e outra por lá.
Para os reles mortais de coração puro que não fazem a menor idéia sobre o que eu estou falando, vou ser mais clara: a prospecção consiste num sistema altamente organizado, cientificamente comprovado e globalizado que substituiu aquelas velhas agendas telefônicas com nome de todos os “amigos” que você tem.
Ao contrário da agenda, a prospecção é mais abrangente, dinâmica, tecnológica e barata. Consiste em deixar “em pausa” qualquer possibilidade de beijos possível. Quanto maior o número de prospects, maior sua eficiência.
Como numa produção em série, todos esses contatos pausados são ativados seqüencialmente após um curto espaço de tempo, visto que nem a pessoa que faz a prospecção, nem o prospect em si, é capaz de dar/receber nada mais além do que beijo. Mentira minha, nada mais do que sexo.
Conheço de perto duas mulheres adeptas dessa modalidade de caça. Por coincidência as mesmas que me perguntaram se eu ainda acreditava no amor.
Acho triste. Superficial. Mas tenho que admitir que ainda não consegui ver nenhuma das duas ficar sem ter para quem. Uma delas acaba de marcar almoço com um prospect. A outra ouviu do rapaz: “dessa vez você não me escapa!” e depois de alguns minutos marcou encontro com outro homem hoje a noite. Será que eu me tornei conservadora? Vai entender...
Escrito por Nina às 17h17
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