Acontece com as mulheres


Beijo na boca

 

Eu não sabia, até pouco tempo, que eu gostava tanto de beijo na boca. Estou com medo que isso pareça baixo e vulgar, mas não estou falando de beijo por beijo daqueles que se vê no carnaval ou em bocas perdidas na noite. Falo daqueles macios e delicados que nem por assim serem perdem todo aquele cheiro de paixão e entrega.

 

Sabe daqueles que a gente acaba rindo quando termina? Rindo de felicidade, de saber que foi bom, que vai acontecer de novo, rindo de boba mesmo.

 

Acho que sinto falta disso. Porque não é qualquer beijo que merece ser dito como beijo na boca. É muito mais sonoro e dá até uma ponta de vergonha de dizer assim “beijo na boca” e ser censurada pelos mais castos ou invejosos de plantão.

 

Beijo na boca envolve o corpo todo como se você fosse tomada por um leve arrepio trazido por uma brisa leve ou como sentir o calor de uma cama quente e macia. É assim contraditório porque envolve duas pessoas. Não, duas almas. E naquele momento nada pode ser melhor e cada segundo é veloz quanto um ano ou tão longo quanto um piscar de olhos.

 

E cada vez que ele acaba não há pressa e não há morosidade porque se sabe que ele acontecerá de novo.



Escrito por Nina às 13h59
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A dívida (dele)

 

Eu reluto para escrever porque talvez não seja muito sensível falar sobre problemas financeiros dos outros. Ainda mais quando o outro é ele. Mas o faço na esperança de obter comentários, conselhos ou qualquer outro tipo de sugestão que me ajude a lidar com esse problema.

 

Pouco tempo depois de nos conhecermos, a vida financeira dele começou a piorar sensivelmente (que fique claro que esta que vos escreve não é a culpada por isso!) até a gota d’água que aconteceu ainda nesta semana.

 

O fato é que apareceu um valor muito acima das expectativas dele a ser pago. E que isto não impressione ninguém porque são dessas coisas gigantescas que duram pouco. Mas o valor continua lá. Imponente, superior e certamente carrasco.

 

“E agora?”. Foi o máximo que pude contestar. Ele também foi pouco esclarecedor já que a resposta ele também não tinha. Não tem.

 

E eu fico esperando para saber como ajudá-lo. Na-nã-ni-nã-não. Eu também não tenho condições de quitar o problema (e mesmo que eu tivesse, deveria fazê-lo?).

 

Ele corre de um lado para outro monossilábico em busca de solução e tudo que posso fazer é ouvir e tentar apoiá-lo... mas que porcaria de companheira sou eu?



Escrito por Nina às 09h19
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A maldita prospecção

(ou como ser uma mulher barata em tempos modernos)

 

Eu não estava familiarizada com o termo até trocar de emprego. Trabalhava só com homens e hoje divido a maior parte do meu dia com mulheres entre 23 e 50 anos. Apenas um homem, que por sinal já passou na mão de uma e outra por lá.

 

Para os reles mortais de coração puro que não fazem a menor idéia sobre o que eu estou falando, vou ser mais clara: a prospecção consiste num sistema altamente organizado, cientificamente comprovado e globalizado que substituiu aquelas velhas agendas telefônicas com nome de todos os “amigos” que você tem.

 

Ao contrário da agenda, a prospecção é mais abrangente, dinâmica, tecnológica e barata. Consiste em deixar “em pausa” qualquer possibilidade de beijos possível. Quanto maior o número de prospects, maior sua eficiência.

Como numa produção em série, todos esses contatos pausados são ativados seqüencialmente após um curto espaço de tempo, visto que nem a pessoa que faz a prospecção, nem o prospect em si, é capaz de dar/receber nada mais além do que beijo. Mentira minha, nada mais do que sexo.

 

Conheço de perto duas mulheres adeptas dessa modalidade de caça. Por coincidência as mesmas que me perguntaram se eu ainda acreditava no amor.

Acho triste. Superficial. Mas tenho que admitir que ainda não consegui ver nenhuma das duas ficar sem ter para quem. Uma delas acaba de marcar almoço com um prospect. A outra ouviu do rapaz: “dessa vez você não me escapa!” e depois de alguns minutos marcou encontro com outro homem hoje a noite. Será que eu me tornei conservadora? Vai entender...



Escrito por Nina às 17h17
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