
Duas mesas no bar
Sentou-se à mesa e viu-se diante dele. No começo tinha que se esquivar do corpo de alguém para analisá-lo melhor, mas depois quando todos se acomodaram podia se ver perfeitamente refletida nos seus olhos castanhos. Era alto, tinha cabelos grisalhos e os olhos a incomodavam.
Estavam distantes uns 7 metros e mesmo assim pareciam sentir próxima a respiração um do outro.
Ele não podia ver ao seu redor. Em volta dela tudo parecia escuro e a conversa das outras pessoas parecia sumir.
Ela o observava fixamente e sorria uma risada sem jeito quando ele a encarava despudoradamente. Só quando seus olhos se desviavam podia ver duas mulheres e outros dois homens na mesa com ele. E à parte de toda a probabilidade de uma delas ser sua esposa e ainda mais, mãe de seus filhos, ela se deixava levar por seus olhares atrevidos.
No começo eram curtos. Depois disfarçados. E mais algum tempo depois longos e cheios de intenções.
Ela aproveitava para decifrá-lo melhor quando estava entretido num papo qualquer. Observava seus modos, seu rosto, admirava-se com seus olhos enquanto não podiam vê-la.
Sentiu um arrepio de desejo quando ele caminhou em direção ao banheiro. Ele a olhou rapidamente, mas com jeito. Ela pensou em ir ao banheiro também. Não para segui-lo, mas para que ele pudesse falar com ela. Sempre pensava nisso. Nunca sabia mesmo se ir ao banheiro era um sinal ou mera necessidade.
Desistiu e voltou-se para os seus na mesa.
Aquela relação tornou-se tão forte naquele pequeno espaço de tempo que ela começou a procurar alguma reação das outras mulheres que o acompanhavam. Nada. Pareciam alheias a sua presença.
Fitaram-se telepaticamente por vários minutos. Trocaram sorrisos. Como se todos aqueles olhares já durassem semanas de encontro e meses de entrega.
Notou alguma movimentação a mais na mesa.
Abaixou-se para apanhar a blusa que havia caído no chão.
Olhou para frente e o viu partir. De costas.
Escrito por Nina às 15h10
[ ]
|