
A desculpa e o sentimento que ficou de lado
Eu nunca entendi essa história de “estou me dedicando ao meu trabalho [estudos/ avó doente/ papagaio/ procura de um apartamento/ família/ etc.] agora. Não posso me dedicar a um relacionamento”... Como?
Então, para minha própria diversão, eu traduzo assim “eu sou tão incapaz que só consigo fazer uma coisa por vez. E como também não sei rever minhas prioridades vou ter que deixar você escapar”. Ok,ok. Eu sei que a tradução legítima é “eu não gosto mesmo de você. Agora. Mas, pega uma senha que quando eu estiver sozinho (a), eu te ligo”. Mas só por despeito interpreto: “como não aparece ninguém interessado em mim, eu finjo que estou ocupado com outras coisas”.
Ah, o doce bom senso que nos permite ouvir e reprimir nossas reações adversas ao conteúdo. Que torna possível nossa cara de paisagem diante de tamanha imbecilidade. Que nos faz engolir que alguém realmente não tenha tempo, nem juízo, nem saudade (da entrega).
Que insulto a uma das únicas poucas verdades que ainda nos permeavam: a busca pelo amor. Ou pelo menos toda a diversão que acompanha as buscas frustradas.
Eu não entendo isso. Eu não entendo muita coisa. Mas eu não me permito entupir o ouvido dos outros com desculpas esfarrapadas.
Escrito por Nina às 16h54
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