Acontece com as mulheres


Dentro do corpo

 

Eu não sei onde ele vive. Vivia dentro de mim e hoje parece tomar conta do meu corpo. Me pego contando quanto tempo eu demoro para lembrar da sua ausência todas as manhãs. E quanto mais rápido me lembro, mais a lembrança me dói. E depois do primeiro toque de sua presença é impossível não lembrar do cheiro, beijar sua boca e correr meus dedos sobre suas costas. Depois do primeiro toque da memória é impossível não querer seus braços, ter no seu peito o melhor repouso para minha cabeça e seu calor sobre minhas pernas.

O dia todo passa como lembrança e seguir em frente é um projeto que deixo para depois, assim como a vontade de bater na sua porta e dizer tudo que nunca pude dizer antes. Apostar que tudo se acaba e se é assim, para que deixar o fim para depois?

Tirar da garganta tudo que guarda o coração e deixar a boca vazar os sentimentos. Eu só queria saber dizer o que você pode entender. Eu só queria para mim aquilo que os outros também têm.

Eu queria ser única, não a única. Eu queria ter meu espaço debaixo dos seus lençóis, me cobrir e esquecer ao seu lado de  tudo que há de ruim lá fora.

Me perder da vida chata com você. Te mostrar que nem tudo é tão certo e que as vezes vale a pena mudar. Para ser melhor. Para ser.



Escrito por Nina às 12h44
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Não vai existir nada

 

Eu fingi que estava tudo bem. Eu finjo. Porque nada me faz forte para dizer a verdade. A verdade é que daqui a um tempo não vai sobrar nada. Eu finjo que vai. Não vai sobrar nenhum vestígio do tempo que passou, do arrepio do encontro, dos beijos, da respiração rápida no meu pescoço. Nada. O vazio dói muito. Dói mais que a falta. Preenche mais que a abundância. Me dói lembrar do “você é especial” e do “eu caso com você”. Quem é “você”? Quem é “eu”? Por que “nós” não existe? Queria que meus erros constassem na gramática. Ou que fossem detectados pelo corretor ortográfico.

Eu queria me corrigir. Corrigir isso que está aqui dentro. Mas não posso.

Enquanto isso eu continuo fingindo... porque daqui a algum tempo não vai sobrar nada.



Escrito por Nina às 17h11
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