
Dentro do corpo
Eu não sei onde ele vive. Vivia dentro de mim e hoje parece tomar conta do meu corpo. Me pego contando quanto tempo eu demoro para lembrar da sua ausência todas as manhãs. E quanto mais rápido me lembro, mais a lembrança me dói. E depois do primeiro toque de sua presença é impossível não lembrar do cheiro, beijar sua boca e correr meus dedos sobre suas costas. Depois do primeiro toque da memória é impossível não querer seus braços, ter no seu peito o melhor repouso para minha cabeça e seu calor sobre minhas pernas.
O dia todo passa como lembrança e seguir em frente é um projeto que deixo para depois, assim como a vontade de bater na sua porta e dizer tudo que nunca pude dizer antes. Apostar que tudo se acaba e se é assim, para que deixar o fim para depois?
Tirar da garganta tudo que guarda o coração e deixar a boca vazar os sentimentos. Eu só queria saber dizer o que você pode entender. Eu só queria para mim aquilo que os outros também têm.
Eu queria ser única, não a única. Eu queria ter meu espaço debaixo dos seus lençóis, me cobrir e esquecer ao seu lado de tudo que há de ruim lá fora.
Me perder da vida chata com você. Te mostrar que nem tudo é tão certo e que as vezes vale a pena mudar. Para ser melhor. Para ser.
Escrito por Nina às 12h44
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