
Despedida
Antes que não seja mais possível nem encarar os olhos nossos, antes que tenhamos que atravessar a rua ao nos avistarmos de longe, antes que as feridas não possam mais se curar, eu me despeço.
Digo adeus ao pedaço de mim que deixo com você, bato a porta e deixo repousadas no jardim as nossas lembranças.
Paro em frente a parede branca e seu portão alto - que já foi tão meu que pensei que nunca mais sairia dali - e digo adeus ao homem da minha vida. Da vida que eu andei até aqui. Deste caminho que me trouxe até este mesmo portão pela primeira vez e por tantas outras que me deixavam tão trêmula como se nunca houvesse estado aqui.
Me despeço daquele futuro que eu esperei. Me despeço da nossa casa que foi sempre sua, me despeço dos seus lábios que foram sempre seus e me despeço do meu sonho de vida.
Não consigo chorar porque eu mesma desfaço a vida que era só minha, um mundo que era só meu e lembranças que nunca dividimos.
Não há motivo para se arrepender, nem motivo para partir, mas eu já esqueci porque devo ficar e, por isso, mesmo sem o homem da vida que vivi até aqui dou as costas e sigo em frente.
Eu deveria ter contado a você sobre o sonho que viveríamos, mas nunca pude te fazer entender que sonhar é só o primeiro passo. Que os sonhos tornam-se projetos que amanhecem planos que vivem felicidade e anoitecem vida.
Eu me despeço das saudades que tive de você e da lembrança que sempre ficará em mim e caminho na chuva fina de volta para casa.
Escrito por Nina às 16h44
[ ]
|