Esta é a terceira vez que tento fazer estas linhas valerem a pena. Já derramei muitas antes, mas depois resolvi não desanimar por serem pouco expressivas e deixe-as evaporar por dois dias. O que restou delas é a lembrança de não marcar nossas vidas pelo calendário, deixar erguer as esperanças de um novo período sem data marcada e deixar que sua própria ampulheta diga quando é hora de começar de novo ou de terminar tudo. Não parece meio óbvio?
Tanta festa, tantos conselhos, tanta obrigação de fazer planos para amanhã. Como se tudo se apagasse e fosse possível começar do zero. Não pode ser. Perderíamos dias e dias de lágrimas e alegrias que nos levaria a cometer os mesmos erros e andar pelo mesmo caminho.
É isso que você quer? Construa uma escada cujos degraus sejam feitos de desventuras e procure alterná-los com a prosperidade, porque essa alternância te leva para cima e te mantém de pé e em frente. Não suba essa escada correndo, não fique ao lado direito para que os outros passem por você, não pule degraus, não suba pisando de dois em dois e sempre se apoie no corrimão, afinal ele precisa tanto de você, quanto você dele.
Não lembre a todo instante que já tropeçou, mas guarde o momento para não cair novamente, não se sinta cansado quando atingir o próximo lance de escadas, mas respire fundo e receba o próximo degrau da melhor maneira possível e não tente adivinhar o que virá depois da curva porque é inútil. Cercar-se de cuidados não te prepara para a surpresa, nada te prepara para ela a não ser a certeza de que ainda muitos degraus virão.
Faça do seu ano novo o começo de mais um lance de escadas. Pouco importa com que velocidade subimos a escada, o que importa é a maneira que pisamos nos degraus.
Feliz vida nova para você!