
O (ex-) jogador
Mas o que é que ele tem? Com essa frase você estipula sua sentença e cumpre a pena. Mesmo contra sua vontade, alista seu nome para ser mais um soldado nesses joguinhos que odeia. Olhar de um lado, mensagem de outro e cutucadelas sem fim. Você esquece que uma hora o jogo termina e que é preciso entrar na disputa de verdade ou então nem se preparar para o combate. Você vai somando suas vantagens, administra pequenas vitórias e se esquece que quanto mais alto sobe, mais perto da queda está. Reconheço que este não é um embate com ares de liga profissional, está mais para uma pelada em um campinho de terra – num domingo chuvoso. Mas aquele pequeno técnico com apito ditador e prancheta em riste que existe dentro de você pode convencê-la de que uma vitória só se conquista depois de outras disputa. Você acena para a torcida, agradece o apoio de todos e veste com orgulho a camisa 10. Bobagem. Demora pouco para sentir a fisgada do lado esquerdo do peito e abandonar todo aquele teatro. É mais fácil sair covardemente com uma lesão do que esperar o apito final do juiz e ter que explicar à platéia o motivo da derrota.
Escrito por Nina às 14h16
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